Aug 282011
 
Passeio Público, Fonte dos Amores - Chafariz dos Jacarés

Passeio Público, Fonte dos Amores - Chafariz dos Jacarés

Quem ama o Rio de Janeiro, e através do tempo e da história tem acompanhado o seu progresso, que gradativamente vai transformando a fisionomia da cidade, é com júbilo íntimo que vê preservadas da ação dos modernistas lembranças enternecedoras do passado, obras preciosas, que recordam épocas distantes, cheias de muita poesia, e talvez de ingenuidade… para a mentalidade de hoje. Descendo pela encosta do Morro do Castelo, a cidade começava a expandir-se, a crescer, a embelezar-se. Aires de Saldanha e Albuquerque, Luís Vahia Monteiro (o Onça) e Gomes Freire de Andrade, governadores do Rio de Janeiro, realizaram marcantes melhoramentos visando à higiene, à comodidade da população. Vários mangues, como o da Sentinela, que abrangia longa zona nas atuais ruas Frei Caneca, Salvador de Sá, Santa Ana e adjacências; o de Santo Antônio, ao pé do morro, e que enchia de miasmas o local onde atualmente é o Largo da Carioca, além de outros — foram saneados e aterrados, alargando e ligando o perímetro da urbe. Com a transferência da sede do governo de Salvador para o Rio de Janeiro, em 27 de janeiro de 1763, novo impulso tomou a antiga São Sebastião. Tornava-se, então, a capital da Colônia, com residência do representante do rei de Portugal, e para onde se endereçavam diretamente as ordens do Reino. Isso, naquele recuado tempo em que se acreditava no nascimento dos reis por graça de Deus, assumia aspecto da maior importância. Continue reading »

Oct 092010
 
Typographia Nacional

Typographia Nacional

POUCO ANTES da saída da corte de Lisboa, fugindo à invasão francesa de 1807, o governo português tinha mandado buscar na Inglaterra prelos e material tipográfico para uma imprensa destinada ao serviço de um de seus ministérios.

Na precipitação da fuga, o fidalgo D. Antônio de Araújo de Azevedo (futuro Conde da Barca) trouxe para cá esse material, que nem sequer tinha sido desencaixotado. Veio no porão da nau “Medusa”, que fazia parte da esquadra em que se operou aquele singular êxodo.

Dois meses depois da chegada da corte portuguesa ao Rio de Janeiro, o Príncipe Regente D. João, por inspiração de D. Rodrigo de Souza Coutinho (depois Conde de Linhares), baixou o seguinte Decreto: Continue reading »

Jan 072010
 
Biblioteca Nacional - Loeillot, W. - Entrada do Passeio Público (1835)

Biblioteca Nacional – Loeillot, W.
Entrada do Passeio Público (1835)

O Passeio Público, embora pequeno, perfeitamente plano, construído em estilo muito afetado e negligentemente mantido, reclama para si o primeiro lugar entre os sítios de divertimento do Rio. A entrada para esse retiro favorito é pela Rua das Marrecas, através de um belo portão, por cima do qual há um medalhão da Rainha com seu finado marido, Dom Pedro. Pela frente desse portão, a alameda principal se estende até um terraço, no lado oposto do Jardim, elevado de cerca de dez pés acima do nível natural do terreno. Em frente dele há uma gruta artificial, coberta de vegetação, em meio da qual se vêem engalfinhados dois jacarés de bronze, de cerca de oito pés de comprimento. Despejam água da boca e parecem a pique de mergulhar dentro de um tanque de pedra, em que aquela se precipita. Dali, a água é levada para dentro de duas outras vascas, ao nível do chão, uma de cada lado da alameda, por detrás das quais existem compridos bancos de pedra, ensombrados por belíssimas árvores e plantas sustentadas por treliças de madeira, onde, sob o abrigo da flor do maracujá, os tisnados brasileiros gozam o luxo de uma atmosfera fresca. Bem junto dali, erguem-se duas esguias pirâmides de granito, de boas proporções e bem lavradas, com inscrições adequadas. Em cada extremidade da esplanada há um amplo lance de degraus; perto do topo do que fica à esquerda, acha-se a pequena estátua de um cupido risonho e alado que com os pés se apóia numa tartaruga terrestre, através de cujo corpo a água se despeja numa casca de granito, em baixo, provida de uma concha que convida os sedentos a beberem. Sobre uma pequena tabuleta, frouxamente enroscada ao redor do braço direito, acha-se pintada a seguinte divisa alusiva: “Sou útil inda brincando”. A singeleza da sentença, o garbo da figura, e o frescor proveniente da bebida que fornece, agradam a toda gente e freqüentemente inspiram um sorriso. Continue reading »